Foto: Arquivo Pessoal
NIcoline Leão No tabuleiro político sergipano das eleições de 2026, as peças já se movimentam e a disputa promete ser intensa.
O atual governador, Fábio Mitidieri, articula sua reeleição com movimentos estratégicos para a configuração de sua base de alianças e carrega contradições. Antes, criticava o senador Rogério Carvalho (PT) por alianças com Jackson Barreto e Valadares; agora, alia-se a eles. Anunciou nos últimos dias que Rogério se unirá a André Moura (UB) para formar a chapa governista em 2026. Mitidieri também faz postagens ao lado de Lula no intuito de mobilizar o eleitorado da esquerda, enquanto conta com apoio do pré-candidato Capitão Samuel (UB), alinhado a Flávio Bolsonaro.
Para Rogério, a aliança tem um custo de credibilidade. O PT, no estado, corre um risco de desmobilização, com eleitores de esquerda desacreditados de representação na disputa eleitoral.
Do outro lado, a renúncia de Valmir de Francisquinho (Republicanos) à prefeitura de Itabaiana para concorrer ao cargo de governador não foi uma surpresa para quem acompanha a política local. Com nome forte no interior, ele foi o mais votado no primeiro turno de 2022 (pelo PL), com 457.922 votos, mesmo com a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral. Atualmente, Valmir conta com o entusiasmado apoio da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos).
Uma outra peça que chama atenção nesse tabuleiro é Ricardo Marques (PL). Vice-prefeito de Aracaju, Marques rompeu com Emília Corrêa, tem o apoio do deputado Rodrigo Valadares (PL) e divulga vídeos ao lado de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, buscando convencer o eleitorado conservador de que é o nome da direita no estado. Ele tenta capitalizar o descontentamento com Valmir, que em 2022 apoiou Rogério Carvalho (PT) no segundo turno, algo que os bolsonaristas não esquecem.
Nesse ínterim, o vereador Lúcio Flávio (PL) personifica a fragmentação da direita no estado: aliado de Emília, mas sem definir apoio entre Ricardo Marques (PL) e Valmir (Republicanos). Caroline Santos (PT), jornalista e sindicalista, apresenta-se como oposição a Mitidieri e às alianças feitas por outros membros do PT. Pelo PSOL, o indicado é Helton Monteiro; o partido tenta formar unidade de esquerda, criticando a federação PT-PV-PCdoB por apoiar Mitidieri sob justificativa de decisão de Lula.
Em meio a esse imbróglio, o tema subjacente é que, em Sergipe, a divisão entre esquerda e direita não é tão rígida e existem fragmentações visíveis. Embora haja polarização ideológica, o que prevalece são estratégias de alianças, ou seja, grupos que se unem para se manter no poder, ultrapassando os rótulos políticos tradicionais.