Por Natalia Zimbrão
18 de mai de 2026 às 09:59
O padre Gilvan José de Carvalho, da arquidiocese de Aracaju (SE), entrou para a maçonaria em uma sessão de iniciação que aconteceu no dia 12 de maio. Em nota, a arquidiocese disse que vai apurar o fato para tomar “medidas canônicas cabíveis”.
A entrada do padre Gilvan para a maçonaria foi divulgada pelo site oficial do Grande Oriente do Brasil, que classificou como “histórica e simbólica” a “Sessão Magna de Iniciação do agora irmão Gilvan José de Carvalho”, ressaltando que ele é “sacerdote em atividade da Igreja Católica Apostólica Romana no Estado de Sergipe”.
A arquidiocese de Aracaju, porém, disse em nota que o padre Gilvan está “afastado de suas atividades ministeriais para tratamento psicológico, não exercendo atualmente funções pastorais em nenhuma paróquia ou instituição arquidiocesana”.
O site da arquidiocese diz na página sobre o clero que o padre Gilvan, nascido em 25 de dezembro de 1967 e ordenado sacerdote em 14 de dezembro de 1994, está “afastado para cuidar da saúde mental”.
Segundo o Grande Oriente do Brasil, a iniciação de padre Gilvan na maçonaria foi destacada por “membros da comitiva do Eminente Grão-Mestre do GOB/SE, irmão Wolney de Melo Dias, sendo considerado um marco de grande relevância institucional e histórica, especialmente por remeter a importantes nomes da história brasileira e maçônica ligados ao clero, como frei Caneca, dom José Joaquim Azeredo Coutinho, padre Joaquim Almeida, frei Sampaio e frei Montalverne, homens que em suas épocas também contribuíram para debates filosóficos, sociais e humanitários em favor da sociedade brasileira”.
A iniciação, diz o Grande Oriente do Brasil, “representa um momento de quebra de paradigmas e reafirma a essência da Maçonaria enquanto instituição filosófica, fraterna e progressista, aberta ao diálogo respeitoso entre diferentes pensamentos, crenças e vocações, sempre fundamentada na busca pelo aperfeiçoamento moral e humano”.
A maçonaria é incompatível com o catolicismo
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A proibição da maçonaria pela Igreja Católica remonta ao papa Clemente XII, que a condenou formalmente numa bula papal em 1738.
Em 2023, a Santa Sé reafirmou essa condenação em resposta à solicitação do bispo Julito Cortes, de Dumanguete, nas Filipinas, que observou o aumento de fiéis filiados à maçonaria em sua diocese. “A filiação ativa de um fiel à maçonaria é proibida, devido à irreconciliabilidade entre a doutrina católica e a maçonaria”, disse uma declaração do dicastério da Doutrina da Fé.
O documento reafirma que “aqueles que estão formal e conscientemente inscritos em Lojas Maçônicas e que abraçaram os princípios maçônicos”, inclusive “eventuais eclesiásticos inscritos na maçonaria”, enquadram-se nas disposições da “Declaração sobre Associações Maçônicas” da Igreja Católica publicada em 1983 sob o pontificado de são João Paulo II.
A declaração de 1983, assinada pelo então prefeito da congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, mais tarde papa Bento XVI, diz que os católicos que “pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão”.
Nota da arquidiocese de Aracaju
Depois da divulgação da entrada de padre Gilvan José de Carvalho na maçonaria, a arquidiocese de Aracaju disse que “serão apuradas a veracidade das informações divulgadas, com responsabilidade e prudência, para o discernimento das medidas canônicas cabíveis, conforme as normas e orientações da Igreja Católica”.
A arquidiocese afirmou “seu compromisso com a verdade, a comunhão e a disciplina eclesial, ressaltando que toda a situação será conduzida com serenidade, responsabilidade pastoral e fidelidade aos princípios da Igreja”.
Natalia Zimbrão é formada em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É jornalista da ACI Digital desde 2015. Tem experiência anterior em revista, rádio e jornalismo on-line.