Moradores de bairros de Coroa do Meio e Atalaia de Aracaju enfrentam irregularidades no abastecimento de água, desde quinta-feira (3), com registros de falta total ou queda significativa de pressão na rede. As áreas mais afetadas são de regiões de grande circulação e atividade econômica, onde comerciantes e moradores relatam dificuldades para manter atividades básicas diante da escassez.
Segundo a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), o problema seria provocado por um vazamento na rede de distribuição, que estaria reduzindo a pressão e comprometendo o fornecimento. A empresa afirma que equipes foram enviadas a campo para localizar o ponto exato do vazamento e avaliar sua dimensão, prometendo que o reparo será feito “na maior brevidade possível”. No entanto, até o fechamento desta matéria, a companhia não havia identificado sequer a origem do problema, o que indica a falta de controle sobre a própria rede.
Enquanto a população enfrenta a falta de água, a resposta apresentada pela empresa se limita a orientações para que os moradores “utilizem a água racionalmente”, evitando desperdícios. Na prática, a recomendação transfere para a população a responsabilidade por um problema que é resultado direto da precariedade do serviço prestado. Ao invés de garantir o fornecimento, a companhia orienta o racionamento, assumindo implicitamente que a situação não será resolvida no curto prazo.
A Deso também informou que disponibiliza atendimento por telefone para situações emergenciais e que, em casos considerados essenciais, como hospitais e maternidades, poderá fornecer água por meio de caminhões-pipa. Fora esses casos, a população permanece submetida à irregularidade, sem previsão concreta de normalização.
A situação evidencia o descaso na manutenção da infraestrutura e a falta de investimento no sistema de distribuição. A ausência de uma resposta rápida e eficaz demonstra uma política de contenção de gastos, em que o serviço público é mantido em níveis mínimos, enquanto a população arca com as consequências. Nesse cenário, quem depende do serviço enfrenta prejuízos diretos, enquanto os recursos públicos seguem direcionados para outras prioridades, como, em âmbito federal, onde se concentram os recursos, ocorre o pagamento da dívida pública, além de diversas compras de títulos podres e perdões de dívidas fiscais para favorecer o grande empresariado.