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Sergipe

Fábio debate fortalecimento da aquicultura e da pesca durante etapa estadual da 4ª Conferência Nacional

15 de junho de 2026
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O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, participou nesta segunda-feira, 15, da etapa estadual da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, realizada na Biblioteca Pública Estadual Epiphanio Dória, em Aracaju. O encontro reuniu representantes do poder público, trabalhadores, produtores, pescadores artesanais, aquicultores, pesquisadores e entidades ligadas ao setor para discutir propostas voltadas ao fortalecimento da pesca e da aquicultura no estado e no país.
Sergipe possui forte tradição na pesca artesanal e grande potencial para expansão da aquicultura, especialmente na criação de peixes, camarões e ostras. Atualmente, cerca de 46 mil sergipanos vivem diretamente da pesca e da aquicultura, movimentando a economia de comunidades litorâneas, ribeirinhas e do semiárido.
As contribuições elaboradas durante a etapa estadual serão encaminhadas para as discussões em âmbito nacional, visando à construção de políticas públicas para o setor. O último evento deste porte havia ocorrido em Sergipe há cerca de 16 anos.
Durante a conferência, Fábio Mitidieri destacou o potencial da pesca e da aquicultura para o desenvolvimento econômico de Sergipe e a importância do evento para discutir o futuro da atividade. “Sergipe é um dos grandes produtores da carcinicultura do Nordeste. Hoje produzimos cerca de 8 mil toneladas de camarão e aproximadamente 4 mil toneladas de pescado por ano, com expectativa de crescimento. Eventos como esta conferência são importantes, porque permitem debater políticas públicas e fortalecer um setor que gera emprego, renda e desenvolvimento para milhares de sergipanos”, afirmou.
O governador chamou atenção ainda para o protagonismo das mulheres na atividade pesqueira. “Hoje, cerca de 62% das pessoas que trabalham na pesca artesanal em Sergipe são mulheres. Isso demonstra a força feminina em um setor fundamental para a economia e para a segurança alimentar de muitas famílias sergipanas”, enfatizou.
Uma dessas mulheres é a marisqueira Maria José Pereira da Silva, moradora de São Cristóvão e integrante da Colônia Z-2. Há 25 anos na atividade, ela defendeu o fortalecimento de políticas públicas voltadas para pescadores e marisqueiras. “É muito importante o pescador estar presente neste evento. Nossas dificuldades são mais em relação ao tempo, à natureza. Mas hoje tenho orgulho dos governos estadual, federal e municipal, porque estão se unindo e olhando para a nossa classe, que merece essa atenção. Com fé em Deus, vão continuar”, destacou.
A secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic) e primeira-dama, Érica Mitidieri, falou aos trabalhadores do setor, ressaltando a importância de apresentarem suas necessidades ao Governo Federal. “É por meio dessa construção que vamos conseguir avançar nessas políticas públicas. O papel de vocês aqui hoje é fundamental para que a política pública seja construída com responsabilidade e compromisso, fazendo a diferença na vida de cada um”.
O ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, informou que as propostas serão levadas à etapa nacional, em Brasília, no mês de novembro, e ressaltou a parceria entre os governos federal e estadual no fortalecimento da atividade em Sergipe. “A expectativa é grande para que possamos debater as políticas para os próximos anos. Sergipe tem feito o dever de casa, e essa relação entre o Governo Federal e o Governo do Estado tem colhido bons frutos, fortalecendo cada vez mais os segmentos da pesca e da aquicultura”, afirmou.
Tradição na pesca artesanal
Em 2025, Sergipe registrou a produção de cerca de 8 mil toneladas de camarão, com projeção de alcançar entre 9 mil e 10 mil toneladas em 2026. A atividade ocupa mais de 3 mil hectares e movimenta aproximadamente R$ 200 milhões na produção primária, podendo superar R$ 1 bilhão quando considerada toda a cadeia produtiva.
“A pesca artesanal e a aquicultura têm um papel fundamental na economia sergipana. É importante que possamos discutir nossas necessidades e contribuir para a construção de políticas que fortaleçam o setor e garantam melhores condições de trabalho para quem vive da pesca”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca, Zeca Ramos.
O estado também se destaca pela estrutura produtiva formada majoritariamente por pequenos empreendedores. Das 1.133 fazendas registradas, 995 estão em atividade, sendo 85% classificadas como microfazendas. Quando somadas às pequenas propriedades, elas representam 93% do setor, evidenciando o perfil familiar da produção aquícola sergipana.
Na piscicultura, a produção anual varia entre 3,5 mil e 4,5 mil toneladas, com predominância da tilápia, responsável por mais de 80% do volume produzido. O Baixo São Francisco é uma das principais áreas para expansão da atividade, especialmente por meio dos sistemas de tanques-rede.
Representando a Federação dos Pescadores do Estado de Sergipe (Fepese), Marcos Menezes, pescador há 25 anos, lembrou que a última conferência foi realizada há cerca de 16 anos. “Tenho certeza de que depois da realização do evento nacional a pesca em Sergipe vai se fortalecer muito mais. Temos muitas demandas e vamos apresentá-las aqui para que tenhamos nossos direitos garantidos”, disse.
Ações estaduais
O Governo de Sergipe já desenvolve ações para apoiar os trabalhadores do setor, a exemplo do Programa Mão Amiga Pesca Artesanal, e avança na reativação do Terminal Pesqueiro de Aracaju, como destacou o governador Fábio Mitidieri. “Criamos o benefício voltado aos pescadores e às pescadoras, que atende até 5 mil trabalhadores, com um investimento anual de R$ 5 milhões. Além disso, avançamos na concessão do Terminal Pesqueiro, uma demanda histórica do setor. A parceria com o Governo Federal fortalece ainda mais essas iniciativas e amplia as oportunidades para a pesca e a aquicultura em Sergipe”, ressaltou.
O benefício apoia os trabalhadores da pesca artesanal durante o período de defeso e protege os pescadores quando a atividade é suspensa para a preservação das espécies, por meio do pagamento de quatro parcelas de R$ 250 para até 5 mil beneficiários.
Outra iniciativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva da pesca e da aquicultura desenvolvida pelo Governo de Sergipe é o programa Filé de Camarão na Merenda Escolar, que inclui o produto no cardápio das escolas da rede estadual de ensino. A ação contribui para a oferta de uma alimentação mais nutritiva aos estudantes, além de estimular a produção local, gerando renda para os produtores sergipanos e fortalecendo a carcinicultura.
Foto: Arthur Soares

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