Carteira apresentada pelo Ministério dos Transportes prevê leilão de 17 terminais de cargas na Ferrovia Norte-Sul e mecanismos inéditos para ampliar a atração de investimentos privadosO Ministério dos Transportes apresentou, nesta quinta-feira (11), a estratégia para ampliar a participação das ferrovias na logística nacional. O plano prevê o leilão de 20 terminais logísticos de cargas ao longo da Ferrovia Norte-Sul (FNS), além de investimentos estimados em R$ 160 bilhões e linhas de financiamento com prazo de até 40 anos para novos empreendimentos. As medidas foram anunciadas durante evento realizado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.
A agenda ferroviária apresentada pelo Ministério prevê a consolidação de uma rede logística integrada, conectando ferrovias, rodovias, hidrovias, portos e terminais de cargas. O programa contempla oito projetos ferroviários estratégicos: Ferrogrão, Malha Oeste, Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), Corredor Minas–Rio, Corredor Fico–Fiol, Corredor Rio Grande, Corredor Mercosul e Corredor Paraná–Santa Catarina. Juntos, os empreendimentos têm potencial para impulsionar a competitividade do país, ampliar a integração logística e movimentar cerca de R$ 600 bilhões em investimentos em todo setor ferroviário ao longo dos próximos anos.
Participaram do evento o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro; a secretária nacional substituta de Transporte Ferroviário, Maryane Figueiredo; o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio; o presidente da Infra S.A., Jorge Bastos; e o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo.
Visão estratégica
Durante a abertura do evento “Novos caminhos sobre trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, voltado à apresentação da carteira ferroviária a investidores, o ministro dos Transportes, George Santoro, defendeu que as ferrovias deixem de ser vistas apenas como obras de infraestrutura e passem a ser encaradas como plataformas de negócios capazes de gerar desenvolvimento econômico, atrair investimentos e reduzir os custos logísticos do país.
“A ideia aqui é explicar as ferrovias como uma plataforma de negócios, mudar a visão tradicional de obra de infraestrutura. Se a gente não trabalhar o custo logístico, a produtividade econômica do Brasil não cresce”, afirmou o chefe da pasta.
A proposta apresentada considera um cenário de crescimento da produção agrícola, industrial e de biocombustíveis nos próximos anos, o que aumenta a necessidade de investimentos em logística e transportes. O Brasil tem cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, mas menos de 10 mil quilômetros estão em operação.
Direto de uma missão oficial na China, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, participou do evento de forma virtual e afirmou que o Governo do Brasil estruturou uma carteira de projetos voltada à expansão da infraestrutura ferroviária.
“Nos últimos anos estruturamos um banco de projetos com empreendimentos que levam em consideração a matriz de risco inovadora do setor de rodovias. Torço para que tenhamos um evento histórico e simbólico para o setor de ferrovias”, afirmou.
O financiamento de longo prazo foi apontado como uma das principais ferramentas para tirar os projetos do papel.
“Estamos estendendo especificamente para ferrovias esse prazo para 40 anos de financiamento. Podem contar com o BNDES para prover financiamento, agora com prazos mais longos, para ajudar esses projetos a saírem do papel e o trem entrar nos trilhos”, reforçou o superintendente de Infraestrutura do BNDES, Felipe Borim.
Viabilidade econômica
O ministro anunciou a criação de mecanismos para tornar os projetos ferroviários mais atrativos ao mercado. A ideia é ajudar a fechar a conta de empreendimentos que exigem altos investimentos e demoram mais tempo para gerar retorno. Segundo George Santoro, o governo oferecerá garantias para os aportes públicos previstos em contrato, aumentando a confiança de investidores e financiadores.
“Estamos focando o subsídio na recuperação da malha ferroviária e dos projetos como um todo. Quando cobrimos o gap de viabilidade, também subsidiamos o material rodante, que integra o investimento inicial (CAPEX) do projeto”, explicou o ministro.