Perfil do eleitor de Sergipe é de escolher a continuidade das gestõesFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND MaisO comportamento do eleitor de Sergipe nas últimas eleições revela um estado politicamente competitivo, com alternância de lideranças no Executivo estadual, forte peso das alianças locais e um processo recente de renovação na representação federal. A análise dos pleitos entre 2014, 2018 e 2022 ajuda a compreender os padrões que devem influenciar a disputa em 2026.Conteúdos em altaEleição para governador: Jackson Barreto e a força do grupo governistaNa eleição de 2014, Jackson Barreto (MDB) foi eleito governador de Sergipe ainda no primeiro turno. À época, o eleitorado optou pela continuidade administrativa, em um contexto de forte influência das alianças estaduais e do peso da máquina governamental. Jackson Barreto foi eleito governador de Sergipe Foto: Jackson Barreto governador de SergipeO pleito consolidou um ciclo político que havia começado anos antes e reforçou a centralidade do Executivo estadual como polo de articulação eleitoral. Jackson já tinha sido prefeito da capital, deputado federal e atuou também na chapa de Marcelo Déda. Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir Em 2010, foi eleito vice-governador do estado. Após a morte do governador Marcelo Déda, em 2 de dezembro de 2013, assumiu o governo do estado de Sergipe, sendo reeleito em 2014.Belivaldo Chagas e a transição políticaEm 2018, Belivaldo Chagas (PSD) foi eleito governador após ter assumido o cargo com a renúncia de Jackson Barreto. A eleição ocorreu em um ambiente nacional marcado pela polarização política, mas, em Sergipe, o resultado refletiu mais uma lógica local do que ideológica. Belivaldo Chagas, ex-governador de SergipeFoto: Reprodução/ND MaisO perfil do eleitor de Sergipe optou por manter o grupo no poder, ainda que em um cenário mais competitivo, indicando que a avaliação da gestão e a capacidade de articulação municipal continuavam sendo fatores decisivos.Por exemplo, Belivaldo foi eleito vice-governador de Sergipe em 2007, na gestão de Marcelo Déda, e novamente em 2015, ao lado de Jackson Barreto. Em 2018, assumiu o governo do Estado com a renúncia do titular e, eleito pelo voto popular, governou Sergipe de 2019 a 2022.Fábio Mitidieri e a reorganização do cenário estadualA eleição de Fábio Mitidieri (PSD) em 2022 marcou uma reorganização das forças políticas no estado. A disputa foi mais acirrada e evidenciou o peso do interior, das alianças com prefeitos e da construção de uma coalizão ampla. Ele concorreu com Rogério Carvalho, do PT, mas venceu no segundo turno com 51,8% dos votos válidos. Governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, pode disputar o governo de Sergipe em 2026Foto: PSD/Divulgação/ND MaisO resultado indicou o perfil do eleitor de Sergipe dividido em relação à avaliação das gestões anteriores, mas também aberto a novas lideranças dentro de grupos políticos já conhecidos. Fábio Mitidieri não era um nome desconhecido: atuou com deputado federal por dois mandatos e também foi vereador por Aracaju.Eleições presidenciais e influência nacionalNos pleitos presidenciais de 2018 e 2022, Sergipe acompanhou, em linhas gerais, o comportamento do eleitorado nordestino, com forte peso das pautas sociais e da avaliação do governo federal. Ainda assim, o estado apresentou divisão significativa do voto, especialmente em Aracaju e em municípios de médio porte.O histórico recente das eleições para a Câmara dos Deputados revela um processo claro de renovação política em Sergipe, especialmente no pleito de 2022.Como o eleitor de Sergipe votou nas últimas eleiçõesEleições 2014Dilma Rousseff (PT): 67,01% (750.320 votos) (Vencedora no estado)Aécio Neves (PSDB): 32,99% (369.349 votos)Eleições 2018Fernando Haddad (PT): 67,50% (789.704 votos) (Vencedor no estado)Jair Bolsonaro (PSL): 32,50% (380.124 votos)Eleições 2022Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 67,21% (862.951 votos) (Vencedor no estado)Jair Bolsonaro (PL): 32,79% (420.981 votos)Manutenção de nomes tradicionais, em 2018Na eleição de 2018, a bancada federal sergipana ainda era composta majoritariamente por nomes já consolidados na política estadual, como Fábio Reis, Gustinho Ribeiro e João Daniel, refletindo o perfil do eleitor de Sergipe mais alinhado à continuidade institucional.Entrada de novos nomes e mudança de perfil, em 2022Já em 2022, o eleitor de Sergipe promoveu uma renovação significativa na Câmara. Entre os destaques estão Yandra Moura, a mais votada do estado e primeira mulher eleita deputada federal por Sergipe, assim como Ícaro de Valmir, eleito como o deputado federal mais jovem da história do estado. 1 de 2 Deputada federal Yandra Moura (União) foi a mais votada para compor a bancada de Sergipe nas Eleições de 2022 – Câmara dos Deputados/Reprodução/ND Mais 2 de 2 Ícaro de Valmir (PL-SE) é o deputado eleito mais jovem da bancada de Sergipe – Câmara dos Deputados/Reprodução/ND Mais Ressalta-se também a eleição de Thiago de Joaldo, que ganhou projeção política nacional e estadual, e de Rodrigo Valadares, vinculado até então ao União Brasil. Ele já havia tentado ser prefeito de Aracaju, em 2020, ficando em terceiro lugar na disputa.Esse movimento indicou maior abertura do perfil do eleitor de Sergipe a novos perfis, especialmente lideranças com forte base regional, presença digital e discurso de renovação, ainda que conectadas a grupos políticos tradicionais.Interior e capital: perfil do eleitor de Sergipe tem comportamentos distintosHistoricamente, o interior de Sergipe tem papel decisivo nas eleições estaduais. Municípios como Itabaiana, Lagarto e regiões do agreste e do sertão costumam concentrar votações expressivas e definir o desempenho dos candidatos ao governo.Aracaju, por outro lado, apresenta comportamento eleitoral mais fragmentado, com disputas acirradas e maior sensibilidade a temas urbanos, como mobilidade, saúde e gestão administrativa. Essa diferença entre capital e interior foi determinante em 2018 e 2022 e deve seguir influenciando o cenário em 2026.Conteúdos em alta